O Jardim da Paciência

outubro 15, 2015

Palavras do Coração

Quase dez da noite e eu acordada. Às vezes tenho fases de insônia terríveis. Passo os dias alternando entre dormir muito tarde – o que pode ser bem produtivo se eu estiver envolvida em algum projeto legal. E dormir logo, mas acordar de madrugada – o que não é lá muito animador, pois o sono está presente, mas a cabeça não desliga.

No momento estou tratando o sono com remedinho fitoterápico (sempre fui contra usar remédio para solucionar o problema do sono) e estou conseguindo manter um ritmo de descanso.  Dormir cedo e acordar cedo. Confesso que já não fico mal humorada quando desperto às quatro e meia ou quinze para as cinco da manhã e ouço o galo cantar. Faço as contas e sei que dormi o tempo necessário. 

O papo começou tratando de hora e sono porque hoje resolvi me manter acordada piscando duro até escrever o que me deu vontade. Quando olhei no relógio e dei conta da hora, pensei: “Céus, vou começar a semana com sono, porque a coisa aqui vai longe!”. Bem, comecei. Agora vamos ver no que vai dar. Vamos ao assunto.

Como sempre comento, acredito que cada pessoa tem o seu aprendizado durante a vida. Como cada individuo é único, as experiências e aprendizados também são personalizados.  Não deve ser muito complicado descobrir o que você precisa aprender. Eu costumo olhar para trás e meditar sobre as cabeçadas que a vida me mandou e acho que, quando as experiências se repetem e você começa a colecionar galo sobre galo é um aviso de que a lição não foi aprendida e que está na hora de mudar de ângulo. Sair de lá do fundão da sala e saltar para a primeira carteira. Ouvir melhor, ver melhor e estar mais atenta (o) quanto ao real significado dos acontecimentos. Aprendeu? Não precisa mais repetir a lição. 

Uma vez uma amiga comentou que olhava tanto pelo retrovisor do carro, que se um dia ela tivesse que passar pela experiência de bater, seria uma senhora trombada na traseira de outro carro, porque no dela, ninguém bateria. Bom, olhar para o passado pode ser pouco recomendado se a intenção é remoer, reviver, alimentar sentimentos de raiva, mágoa ou coisas menos positivas. Mas, como a dualidade está presente em tudo, pois sempre há o lado bom e o lado menos fotogênico, espiar pelo retrovisor da vida pode sim ser uma boa maneira de rever conceitos e atitudes. 

Pois bem, considerando o que costumo ver pelo meu retrovisor, imagino que dentre muitas lições a aprender, tenho uma que deve ser mesmo a mais importante de todas para essa minha singela e calma existência, a paciência. 

Não a paciência na fila do banco ou em um balcão de atendimento, mas a paciência em relação à vida. Todo mundo tem seus planos e sonhos e eu também, mas eles nunca respeitaram meu relógio pessoal.  

Já escrevi aqui no blog sobre isso algumas vezes e acredito que esta não será a última. Aceitar as coisas como são, sem alimentar as frustrações que o tempo costuma acumular na nossa bagagem é umas das coisas mais difíceis que existe. 

Não estou dizendo que a frustração é o carro chefe dos meus sentimentos, ao contrário, sei que não posso reclamar uma vírgula da vida e acho que tenho mais do que preciso. Mas, também sei que paciência é uma virtude que se deve cultivar, e eu preciso de um jardim enorme com inúmeras variedades dessa flor difícil de cuidar.  No meu jardim atual minhas flores de paciência abrem e fecham constantemente de acordo com o momento. Fecham quando questiono o porquê das coisas que não vão como eu gostaria, abrem quando deixo de dar importância para o que não posso mudar e assim vai. 

O post de hoje foi escrito assim, com cara de desabafo porque as flores estão todas fechadas e a falta do perfume da paciência incomoda. Às vezes é bem difícil olhar para o jardim de lá da varanda e notar que não adianta tentar abri-las. A solução é sentar e curtir a paisagem até que meus pensamentos mudem, virem adubo, água e sementes para regar, alimentar e fazer nascer muitas outras flores nesse jardim difícil de manter.

Quem nunca passou por fases assim? E aí está o segredo do jardim da paciência, deixar passar. Sentei na varanda, olhei para o céu, deixei a música que mais me toca no momento repetir um sem número de vezes e escrevi o que o coração mandou. Obedeci. Espero que o recado compartilhado de hoje seja útil para o seu jardim da paciência também, que pequeno ou grande deve alternar momentos de flores e botões como o meu. E quando os botões teimarem em não abrir cultive-os do seu jeito. Tenha sabedoria para fazer esse momento passar de maneira produtiva e positiva. Deixe a paciência retomar o seu lugar e siga em frente, essas fraquezas são parte da vida e é lidando com elas que nos conhecemos melhor.

Beijos beijos e um belo jardim perfumado!



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