Correndo atrás da bola

outubro 01, 2015

Palavras do Coração

O texto abaixo foi escrito na época da copa e das eleições de 2014. Porém, a nova versão do blog ainda não estava pronta e por isso, o texto ficou engavetado. Hoje resolvi postá-lo. Apesar do momento já ter passado, minha opinião continua a mesma e assim, achei interessante compartilhá-lo com vocês leitores.



O nosso Brasil é assim, apaixonado, animado, festeiro, verde, amarelo e cheio de sorrisos. No rosto o brilho da alegria que conquista o mundo e no pé o tendão que dói até a alma. A dor da politicagem corrupta e egoísta, que se alimenta do feijão (ou melhor, caviar) tirado da boca do povo, que leva para a própria mesa, vestindo-o de prato gourmet e champagne francês... Tin tin...

Trabalhar para passar vários meses do ano pagando impostos e outras taxas (algumas para ter direito de exercer uma profissão) não ajuda muito na animação geral. E o que fazer? Que tal espairecer, distrair, desopilar?  

Pão e circo era uma jogada de marketing romana muito bem sucedida, tanto que nunca saiu de moda, só troca de fantasia e de apelido. Acho muito importante um pouco de diversão, é preciso viver de forma mais leve, saudável, física e emocionalmente. O que me incomoda mesmo é a cegueira que vem de brinde. 

Bonito é ver um país inteiro unido para torcer por onze pares de pernas musculosas e ágeis, correndo atrás de uma bola em busca da consagração do seu time, como o melhor na estratégia de mandar a Jabulani, Tricolore ou Brazuca para aquele lugar... O gol!

Nada contra o futebol. Apesar de não entender suas regras e não conseguir ultrapassar a marca de cinco ou dez minutos na frente da TV, entendo a importância de um foco popular para diversão. E para que não digam que este é um comentário da boca para fora, acabei de ler o livro “Corinthians é Preto no Branco”, por Washington Olivetto e Nirlando Beirão – (2005) Ediouro. 

Para quem é zero de conteúdo futebolístico, senti-me mergulhada em um mundo de nomes, datas e títulos. Quase um retorno aos bancos escolares das aulas de História da D. Isaura. Mas, o melhor deste livro é a narrativa divertida, criativa, agitada, cheia de confissões fantasiosas. Em cheio, a melhor versão dos fatos. 

Washington Olivetto é “O Cara” da publicidade (li também “Na Toca dos Leões” de Fernando Morais, Editora Planeta - sobre Washington Olivetto e W/Brasil)), o número um da propaganda brasileira e famoso internacionalmente, não apenas pelo desempenho criativo no mundo publicitário, mas por ser ferrenho torcedor de futebol. 

Eu, ignorante confessa sobre o assunto, assumo que senti um certo entusiasmo pululando dentro do meu ser enquanto lia um livro escrito com tanta animação. Quem sabe se eu voltar a lê-lo mais algumas centenas de vezes, a centelha explode em uma nova visão sobre assunto? Até lá...

O que não entendo mesmo é essa relação de amor e ódio. Já ouvi dizer o quanto é bonito e emocionante assistir a uma partida de futebol em pleno estádio. Uma daquelas experiências de arrepiar e nunca mais esquecer. Mas, aí vejo na TV a violência pela violência, um campo de batalha justificado pelo amor ao time. Como o próprio Washington Olivetto escreve “ (...) essa coisa cafona de pátria de chuteira, que faz esquecer que futebol deve ser, como a vida, alegria e arte.” 

Tem gente que acha que torcer pelo mesmo time é uma enorme e profunda afinidade. Eu defendo a bandeira de que uma ligação real e duradoura só existe com conceitos siameses sobre certo e errado. O que é certo para um, pode ser errado para outros porque, no final das contas, cada qual tem seus próprios argumentos para sua lista de boas e más ações e é assim que uns pisam na bola quando acham que acabaram de acertar no gol e outros levam na cabeça sem saber de onde a bola veio.

Provavelmente, cada um desses torcedores violentos acha realmente que estão certos. Uma pena comprovar que em absolutamente todo lugar, grupo, profissão existem fiéis representantes da ignorância. O político que guarda na conta o dinheiro do povo mata o doente na fila do SUS, por falta de médicos e remédios. O torcedor que guarda canivete, bomba ou sei lá mais o que na roupa, mata o filho, irmão ou pai de alguém a sangue frio.  

Esporte é saúde, desafio, crescimento. O Brasil é conhecido pelo seu futebol e nada mais natural que em algum momento voltasse a sediar a Copa do Mundo. 

A economia passando por uma fase difícil e vários departamentos públicos indo à falência. Educação, saúde e segurança num perrengue de doer e o país investindo em Copa do Mundo. Mais do que festejar uma paixão nacional, é na ponta do iceberg uma enorme propaganda eleitoral. Sorry para os que não concordam, é apenas uma opinião.

Não tenho aqui a pretensão de definir o certo e o errado, mas como cidadã brasileira, acredito que este não seria exatamente o momento ideal para um evento tão grandioso e tão absurdamente dispendioso. Mas, já que o endereço da Copa de 2014 é nosso, vamos então torcer não apenas para o time da casa, mas também pelo melhor resultado quanto a festa em si. 

Confraternizar e aproveitar a diversão é o que nos resta, mas sem esquecer que, depois de correr atrás da bola, precisamos também correr atrás do prejuízo. Se você não quiser ser vitima do famoso “pão e circo” é bom ter consciência de que as eleições estão muito próximas e lembre-se: a Copa é curtição (sem violência). Qualidade de vida, educação, segurança, saúde e outras cositas mas: assunto sério. 

De nada adianta choramingar pelas dificuldades, se na hora de dizer o que você quer para o seu país verde e amarelo e famoso pelo futebol, amarelar (do pior jeito) e votar pelos motivos errados. Pense! Seja cidadã(o) consciente. Não esqueça, e vou dizer isso da maneira mais simples possível: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Vote consciente e volte a ter orgulho de ser brasileiro!

Obs.: Depois de um bom tempo engavetado, o texto acima veio à luz. As eleições já foram faz tempo e o resultado... é melhor deixar para lá! Mas, que o povo agora está colhendo o que plantou... isso é fato!!! E o futebol verde e amarelo?? Prefiro deixar para os entendidos no assunto!

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Beijo, beijos!!!





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